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  • Amôras

cinco anos depois...

Atualizado: 30 de Jul de 2018

como o tempo é louco. no dia 14 de julho (sábado passado) fez cinco anos que vivenciei uma das maiores dores mais horrorosas que já tive o desprazer de sentir: perder uma das pessoas mais importantes da minha vida - minha mãe.




mais do que ter me dado a vida (o que já seria motivo suficiente para ser grata eternamente), ela me deu o sorriso largo e a gargalhada solta, me deu a emoção sem vergonha, me deu uma coragem "assustadora" para enfrentar qualquer situação ou pessoa ou momento ou seja lá o que for, me deu a paixão pela música, me deu loucura suficiente para dançar no meio da rua / cantar em alto e bom som no meio de um jantar / expressar meus sentimentos de cara lavada / encarar de frente os meu problemas / ir pra cima dos meus sonhos...


nem tudo foram flores. a gente era igual em muita coisa e isso gerava muito conflito.

e eu nunca tive medo da vida (ela me deu a coragem, mas ficava furiosa por eu ser assim) e ela ficava louca. dizia que se eu tava perguntando alguma coisa era pq já tinha feito e tava tentando entender o tamanho da encrenca em que tinha me metido. e ela tinha razão.


ela era vida, única, vibrante, solar.

colocava a família antes de tudo, antes dela.

e talvez isso tenha sido seu grande erro.

esqueceu dela. ficava brava (brava de verdade) quando eu dizia que a sua respiração estava estranha - mandava eu cuidar da minha vida.


e então, veio a doença mais temida de todas.

aquela que me tirou 05 amores em apenas três anos.

o CÂNCER!


aquela doença que já nos tirava o sono por causa do meu pai, que lutava bravamente contra um linfona do manto dificílimo de tratar... agora tinha data marcada para levar a minha mãe: 2 meses, disse o tal do dr. "foda" diretor geral em pneumologia blá blá blá.


ele me disse isso rindo como se estivesse me contando uma piadinha boba. ainda tirou com a minha cara sobre dinheiro (mas isso fica para um outro post).


mas esse tal dr errou, foram 2 meses e 8 dias.

2 meses e 8 dias de luta, tristeza, desespero... lembro que eu cheirava a pele dela para ficar na minha memória e comia loucamente e rezava e implorava... e chorava escondido (meu irmão me proibiu de chorar na frente dela) até que um dia ela falou para uma enfermeira que eu só gostava do meu pai, pq quando a gente ficou sabendo que ele estava com câncer eu não parava de chorar. aí resolvi ser sincera e contar que eu chorava todos os dias e aí choramos juntas.


uns dez dias antes de ir embora, ela passou a tarde conversando comigo e com meu marido sobre o que ela esperava que eu fizesse da minha vida:

-ela queria que eu pedisse demissão da agência

-que eu não engravidasse pq ela não via em mim vontade de ser mãe e eu precisava assumir isso e várias outras coisas que eu prefiro guardar só pra mim.


e ela foi piorando e piorando.


um dos piores dias da minha vida foi quando eu tive que fazer uma apresentação fora de SP e implorei para não ir - algo me dizia que tava chegando o fim. naquele momento toda a minha coragem tinha ido embora e eu não consegui mandar tudo praquele lugar e ficar com a minha mãe. ia na hora do almoço e voltava às 17h.


fui com uma dor no corpo, no coração, na alma.

eu não era absolutamente nada naquele momento.


depois da apresentação veio a notícia de que a minha mãe estava indo para a UTI e que seria sedada - perdi tudo. implorei para que me esperassem chegar em SP. jamais vi alguém que foi sedado voltar... e eu precisava ver aqueles olhos maravilhosos e precisava agradecer e me despedir.


foi uma loucura. o voo atrasou, mas graças a deus o piloto me colocou na primeira poltrona e um carro vou me pegar na pista do aeroporto de "Guarulhos" - isso mesmo: Guarulhos... longe pra cacete.


contei a história para o táxista e combinei com ele que em caso de multa eu pagava e assumia os pontos - ele só precisava correr. eu cheguei, mas só tive tempo de dizer que ela era o grande amor da minha vida. pedi desculpas se fiz algo errado na vida. ela maravilhosa olhou pra mim e disse: "filha vc tá pior que eu, não vou morrer..." - eu fiz que sim com a cabeça, a gente se beijou...


continuo depois pq não tenho condições de continuar.



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