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cinco anos depois - parte 2

não consegui terminar o post anterior, em que escrevi sobre a grande e terrível primeira perda da minha vida. agora, quase no final do mês de julho já estou bem melhor. mais tranquila e segura, mais calma.


datas são complicadíssimas.


terminei o último post com ela me dizendo que não ia morrer... foram dois dias "intensos" e "loucos" na "unidade de terapia intensiva" - os médicos liberaram a presença em tempo integral dos filhos e do marido (que hospital esse AC Camargo) e a visita de familiares mais próximos.


eu e meu irmão só saíamos de lá em casos de emergência, tipo ir ao banheiro pq não dava mais para segurar. a gente precisava daquele tempo ao lado dela, mesmo com ela dormindo. passamos estes dois dias escutando suas músicas preferidas, contando histórias, rezando...


até que quando tocou "eu sei que vou te amar" na voz da cantora Maysa, ela abriu por alguns segundos aqueles olhos verdes. sei lá o que aconteceu, mas a gente se agarrou a este episódio. eu e meu irmão, do nada, começamos a enxergar uma luz. a gente estava tão desesperado, que voltamos para casa naquela noite cheios de esperança.


mas em um determinado horário, a enfermeira que eu literalmente subornei para me mandar informações ou apenas "ela está bem" parou de responder. sumiu! meu coração que já era um buraco se transformou em um precipício. eu tentava me acalmar, meu marido tb tentava me acalmar, mas eu sabia... tinha alguma coisa muito errada acontecendo. aquela esperança dos olhos abertos se transformaram em tormenta - tem aquilo que falam que antes de morrer a pessoa dá uma melhorada sabe? então!


de madrugada não te atendem no hospital. Quando amanheceu ligaram e pediram pra gente ir pra lá... o resto é muito íntimo, triste e adoraria que não fosse inesquecível. um dia pretendo contar todos os detalhes até aquele momento em que o aparelho fica com a linha reta. mas agora ainda não é o momento.


deste momento até agora se foram 5 anos. meu deus do céu que loucura. que maluquice. muitas vezes achei que era um pesadelo. tiveram muitos dias que eu simplesmente esqueci que isso tudo tinha acontecido e peguei o telefone para ligar para a minha mãe.


teve a volta pra casa, a pior coisa que existe.

teve a arrumação sem fim.

teve o primeiro dia dos pais... mas não teve o segundo. meu pai também se foi.

teve o primeiro natal, o primeiro ano-novo, o primeiro carnaval.

o primeiro tudo. o segundo também... e o terceiro.


a vida me fez ir ao fundo do poço, rastejar. a vida me esfolou.

seis meses depois da morte da minha mãe foi a vez do médico do meu pai me chamar para uma conversinha e dizer que não tinha mais o que fazer: ele estava morrendo.


uma nova dor em cima de uma dor que nem estava perto de ir embora e tem sido assim. uma coisa em cima da outra... e eu vou indo, vou remendando aqui, ali. vou me remendando, me recriando. ando uma casa, volto dez. ando dez casas, volto uma. e assim eu vou seguindo e aprendendo coisas valiosas demais.


na missa de cinco anos da minha mãe, o nosso amada Padre Luciano (sem ele acho que eu e o meu irmão ainda estaríamos rastejando) disse que somos humanos demais para entender certas coisas. acho que é isso. eu na minha humanidade toda jamais vou entender como tudo acontecer. mas uma coisa é certa: cresci horrores, ainda tenho jeito de adolescente, mas sou um mulherão da porra. poucos sabem disso.


esse mulherão da porra conseguia levantar a mãe (como ninguém) muito mais pesada, rastejou com o pai pelo chão do apartamento até chegar na cama dele numa madrugada em que ele resolveu levantar (detalhe: ele era magrinho, mas quando a pessoa tá sem forças fica pesado demais), deu banho na melhor amiga muito doente (neste dia meu coração sangrou), foi para um hospital na noite em que o pai foi enterrado pq o sogro não estava respirando (depois de tudo que meu marido fez eu não podia deixá-lo só - ele morreu um mês e 15 dias depois), dormiu com a avó na noite em que ela via parentes já mortos (meu grande amor), ficou enfurnada em um hospital pet por um mês até o seu cãozinho dizer adeus e sofreu meio que calada quando seu golden também se foi (era a vez do meu marido e eu tinha que respeitar isso).


resumindo: VIVER É A MELHOR COISA QUE EXISTE! apenas viva!










AMO ETERNAMENTE



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